O Turista

Não sei definir se “O Turista” é uma surpresa agradável, ou se é uma decepção inesperada que foi salva pela falta de hype, ou simplesmente pelo fato de que, por algum motivo, ao olhar aquele cartaz o meu cérebro pensou “romancezinho veneziano com dois queridinhos da mídia”. E aí meu irmão me fala que o filme não é de romance. Tamanho era meu interesse pelo suposto romance (eu sei, total desinformação da minha parte, puta falta de sacanagem mesmo), que eu nem mesmo havia lido nada sobre o mesmo. Nem visto nenhum trailer. Mas aí, subjugado pela curiosidade (e, pra confessar, total falta de algo melhor pra fazer), assisti o tal filme. E eu ia usar o começo do texto como título, mas como vi que ia ficar muito grande, e ia ser um título ridículo, resolvi me ater ao manjado nome do filme.

 

Se bem que o título ficaria apropriado, porque até agora eu não sei se “O Turista” é uma surpresa agradável ou decepção que se salvou pela falta de informação. Isso serviria também pra falar sobre todo o efeito prejudicial da hype machine, mas não tô disposto a falar disso hoje, portanto (como eu digo em praticamente todo texto), deixem-me retornar ao foco: o filme. E realmente, pra mim, o filme acabou sendo uma surpresa deveras agradável.Não que ele seja perfeito, longe disso. O filme pecou em algumas coisas. Mas pra algo que eu achei que não seria nada de mais, o filme me fez rir bastante, e me rendeu uma hora e meia de diversão simples e descompromissada. Mas não sei se um filme com o Johnny Depp e a Angelina Voight Jolie pode ser considerado “descompromissado”. E, embora tenha sido divertido, não é sem falhas.

Em conversa com o meu irmão, ele fez a observação de que em alguns lugares ele leu que o filme não era muito bom, que a interpretação do Johnny Depp ficou meio ofuscada, e que a Angelina Jolie parecia que tava “se impondo” na atuação. Eu não achei exatamente isso: a atuação do Depp tá, me arrisco dizer, impecável. Apesar de ser um ator geralmente cotado pra grandes papéis, ou pra ser o cara estranho, ele consegue perfeitamente ser um professor de matemática crível. Um cara comum. Sem nenhuma lente, sem ficar o tempo todo bêbado, sem cabelo colorido, sem roupa estravagante, sem mãos-de-tesoura. Não que eu vá indicar ele pro Oscar… mas é ver um ator simplesmente atuar de vez em quando, e não só brincar de ser maluco. Já a Jolie… eu diria que ela interpretou apropriadamente, também. O personagem demandava a diferença de tratamento, o (literalmente) brilho quase excessivo. Enquanto o personagem do Depp tava ali, com o cabelo levemente desgrenhado e a barba quase mal cuidada, do lado tinha uma mulher elegante, exuberante, e que literalmente brilhava. Não feito uma lâmpada, mas o destaque dela em relação a tudo (inclusive o cenário), era notável. Outros detalhes podiam ser notados: seguidamente, todos os olhares acompanhavam ela por onde fosse, ela sempre era a mulher mais bonita da festa, e etc. Tudo colaborando pra essa imagem de exuberância, e aumentando a lacuna entre ambos. Polaridades diferentes da realidade, quase.

Mas aí que mora o problema: “forçação de barra” extrema. Tudo bem fazer isso de uma maneira sutil: os olhos dela brilham mais, a roupa dela sempre é mais destacada em relação ao ambiente, até mesmo o foco da câmera colaborava pra aumentar essa impressão inconsciente de “nossa, que mulher linda”. Mas daí pra fazer todos os figurantes olharem pra ela, o tempo todo? Pô, Von Donnersmarck(não se preocupem por não reconhecer o nome do diretor, eu também não conhecia, e pelo que vi na wiki, ele não é muito popular ainda, embora tenha sido premiado pra caramba com o último filme), manera um pouco né? O que eu notei como principal no filme foi esse destaque excessivo em cima da personagem. Não fosse só esse detalhe de em toda santa cena alguém desviar o olhar, ou agir feito um bobo, ou qualquer outra coisa que dissesse “este cara está babando por ela”, beleza, passava. Até porquê, a Angelina é uma mulher elegante pra caramba. Mas como diz o bom velho ditado, “tudo em excesso faz mal”. A não ser na hora de comprar comida no mercado, aí é melhor pecar pelo excesso pra não faltar mais tarde mesmo.

Enfim, é um baita filme? Não. “O Turista” não é um daqueles filmes memoráveis. É um daqueles filmes que, quando me perguntarem, vou dizer “bah, já olhei, é bem divertido!”, mas não é um dos filmes que, como O Poderoso Chefão, todo mundo deveria assistir porque é bom, ou como Homem de Ferro 2, que todo mundo deveria assistir porque é divertido. Mas ainda assim, não tendo nada melhor, vale o ingresso do cinema, apesar de não se sobressair.

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