Orgulho. E preconceito. E zumbis.

Eu não queria postar um combo de resenhas em duas semanas, mas tô com pouco tempo pra escrever no blog (mentira, ao invés de escrever os textos pendentes domingo passado, fiquei jogando Minecraft. Mas o domingo é meu dia oficial de scratching the bag, então tá valendo o pretexto), mas eu TENHO que falar sobre esse livro. Até porquê, é a primeira vez que eu tô escrevendo sobre um livro.

Livre da “enrolação de começo de post”, vamos ao assunto: O LIVRO É BOM. Não bom de “ah, é divertido, vale a pena ler, etc”. Isso aí é fichinha: TEM ZUMBIS. Qualquer porcaria (e reitero minhas palavras: qualquer) fica melhor com zumbis. Aliás, coloco de forma melhor: qualquer porcaria não fica melhor com zumbis. Uma palavra mais adequada é divertida. E “Orgulho e Preconceito e Zumbis” prova que tudo pode ficar mais divertido mesmo. Até um romance do século XIX. Porém, eu me surpreendi bastante foi com a qualidade do livro como um todo. É difícil eu listar tudo que faz o livro bom, sem dar spoilers. Porém, vou tentar generalizar da melhor maneira possível e não especificar nada que estrague a leitura.

A primeira coisa que me chamou atenção no livro foi a falta de noção do escritor Seth Grahame-Smith. A segunda, foi o talento desse desgraçado. Primeiro, porque um leitor desavisado que seja informado sobre o original, não vai saber diferenciar muito bem quais partes são do escritor novo e quais são da escritora original (Jane Austen). Segundo, porque cacete, o cara é bom. Nenhum dos personagens é desfigurado literariamente: as motivações são naturais a estes, por mais absurdas que sejam. Imaginar Elizabeth Bennet como uma assassina calculista e disciplinada, dado seu orgulho e comportamento na obra original, cai como uma luva. Trocar a doença de um personagem por uma suspeita de ter sido atingido pela “estranha praga diabólica” cai como uma luva. São pequenas alterações e adendos à história, que “costuram” com perfeição a adição dos zumbis à trama original, um romance meio meloso. E é nesse ponto que eu notei que o livro não é só “uma paródia irreverente ao original”.

Mas pode parecer bobagem, a princípio. Afinal de contas, “pô, o cara colocou ZUMBIS. Tem alguma coisa mais sem-noção e completamente absurda?”. Mas não é tão absurdo quanto parece. Tem vários eventos que não são tão alterados assim: como citado antes, o momento onde um dos personagens fica doente, e surge a dúvida se “a praga vai consumir a alma” e lálálá, ou não. Quando Elizabeth sai pra visitar essa pessoa, no original, acabou de chover e ela chega no lugar “indecentemente suja”. Na nova versão, isso é aproveitado pra incluir um combate com zumbis no meio do caminho… que possui as mesmas repercussões. Ou então o fato de que a propriedade alugada por Bingley, no começo do livro, se chama “Netherfield” (“Campo de baixo”, ou “Campo inferior” em inglês), etimologicamente relacionada ao que alguns chamam de “The Nether”, se referindo ao inferno ou “submundo”. Não vou ficar estragando o livro e citar mais detalhes, mas basta este exemplo pra mostrar como o autor teve um cuidado extremo em manter o sentido original da obra como um todo. Não se enganem: tem zumbis, mas ainda é um romance de Jane Austen. Só é um romance muito mais divertido de ler.

E sobre o que eu falei, de manter a fidelidade aos personagens, estes são muito bem reconstruídos. As motivações, orgulhos, defeitos e ações dos personagens fazem com que facilmente o leitor acabe sentindo simpatia, pena, ou até raiva de algum personagem, como deve ser em um bom livro: levar o leitor a um mundo impossível, de forma imperceptível.

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