Uma Lenda Brutal…mente divertida.

É. No fim das contas, vai ter que ser (de novo), uma resenha, porque eu não achei inspiração pra escrever nada que preste sobre assuntos filosofódicos. E como eu prometi que só ia escrever coisas que prestassem, resenhas costumam ser mais simples de escreverem. Ao menos, as resenhas que eu costumo escrever, no qual eu falo meia dúzia de bobagens, e descrevo como me senti jogando ou assistindo ou lendo ou dormindo.

Dá pra começar dizendo de cara que o game é muito mais legal (e muito mais ESQUISITO) do que eu jamais imaginava. A princípio, eu achei que era uma cria profana de uma união improvável entre o Kratos do God of War e alguma das minas do Guitar Hero (ou as duas, se o pessoal ainda lembra daquele minigame do primeiro GoW). Em outras palavras, uma mistura muito doida. Mas descobri que não: ao invés disso, o Tim Schafer resolveu colocar God of War, Guitar Hero, e umas três colheradas de Starcraft no jogo. E o pior é que ficou legal. Maluco pra caramba, mas legal.

Mas eu não vou nem me conter muito: eu não gostei do game pela jogabilidade. Ela é interessante, com a mistura de Real Time Strategy no TALO. E muito mais literalmente que em Starcraft e Age of Empires, já que nesse caso, tu literalmente tá junto no campo de batalha, e pra dar ordens tu precisa estar perto dos teus ‘soldados’. Toda a mecânica da “batalha de bandas” é bem interessante, leva um conceito tradicional de rock e transforma em jogabilidade. Mas este não é o atrativo, e sim a linguagem, apresentação, e a história em si que me emocionaram e prenderam ao jogo. E é nisso que vou me focar falando.

Pra quem não curte Heavy Metal, o game vai se passar como divertido, inusitado, e barulhento. Com uma história divertidamente maluca. Pros metaleiros, entretanto, o jogo ganha uma dimensão absurdamente diferente. E antes que alguém largue um comentário de “ai, só não fala metaleiro, não fazemos panelas, somos headbangers“, NÃO. Eu cresci me intitulando como metaleiro, então se eu usar um rótulo vai ser esse, porque quem fica de mimimi dizendo que é headbenze é BICHINHA. Mas deixando de trollar os frescos que querem ser “diferentes”, exatamente como todo mundo: jogar Brütal Legend é como entrar numa capa de um disco do Judas Priest. Ou de várias outras bandas da época.

O nível de atenção a detalhes relacionados a Heavy Metal é absurdo. Qualquer um que acompanhou a “era de ouro do Heavy Metal” (70-90), seja ao vivo ou de maneira “póstuma” (como foi o meu caso, já que eu nasci no meio da década de oitenta), vai pirar enquanto joga. Todos os cenários do game parecem saídos da capa de algum álbum, ou de uma pintura do Boris Vallejo. TODOS. Sério, não tem exceção:

  • A besta de couro cromado que aparece no começo do jogo (Ormagöden) lembra pra cacete o estilo visual de várias capas do Judas Priest (em especial, dos álbuns Screaming for Vengeance, Defenders of the Faith, e Stained Class).
  • O visual do próprio Eddie Riggs, personagem principal do game, além de lembrar PRA CARAMBA o Jack Black (dublador do personagem), também tem um visual fortemente relacionado à “moda Thrash Metal/Mötorhead”.
  • As árvores têm galhos feitos de canos de escapamento, e têm pneus como folhas.
  • Motores V8 brotam como trufas, perto de árvores.
  • Escravos (que tu liberta em um ponto logo no início do jogo) batedores de cabeça trabalham em uma mina… minerando com cabeçadas.
  • Aranhas gigantes de metal tecem cabos de aço como teia, usados como corda de baixo.
  • Javalis têm rodas de motocicleta e motores.
  • Artefatos escondidos incluem estátuas muito parecidas com o demônio na capa do disco Holy Diver, do Dio.
  • A loja de upgrades é acessada através dos motores que brotam como trufas, que são garagens que funcionam como portais para um “inferno”, onde fica o Guardião do Metal. Que é o Ozzy.

Eu podia ficar até semana que vem listando as coisas legais que tem no game, mas vocês devem ter entendido a moral… afinal, isso que eu listei acima não é 5% do conteúdo relacionado a metal que tem no game. Além disso, como disse o Jake Gaskill da G4TV, jogar Brütal Legend é como “ter uma aula de apreciação de Heavy Metal”. Eu, que passei uma adolescência de musculatura proeminente no trapézio (resultado de muita bateção de cabeça), e tive até banda durante um tempo, não conhecia diversas das bandas que aparecem no game. Com uma trilha sonora de mais de 100 músicas clássicas do metal, além de uma trilha sonora original sensacional (ao ponto de se mesclar perfeitamente com o ambiente e as músicas licenciadas), o jogo apresenta um clima tão bom quanto Red Dead Redemption. Embora não chegue tão próximo deste, meramente pela história de RDR ser mais tocante, eu me diverti demais com a nova obra do Tim Schafer. Aliás, outro lance digno de nota e, na minha opinião, o apogeu do “detalhismo” exibido na produção, é o enquadramento perfeito de músicas conhecidas durante o jogo.

Logo na primeira cena jogável, onde o personagem aparece nesse mundo maluco do metal (que é uma era no passado, nas origens do mundo), começa o riff inicial e o rufar de tambores de Children of the Grave, do Black Sabbath. E isso continua até tu catar o machado. Só no riff inicial. Quando tu cata o machado, começa o riff principal da música, com uma guitarra mais pegada. Depois de espancar os pobres coitados dos druidas que tão por ali querendo te espetar, vem uma freira(!) demoníaca, e começa a parte do vocal. A música, em si, é interativa com as ações que vão se desenrolando. Se quiserem, vocês podem ver a cena aqui, no vocêtubo.

E não é só essa parte. Quando tu tem que conseguir novas cordas de baixo pro Kill Master (que é o Lemmy, do Mötorhead, e é dublado por ele), tu vai enfrentar a “Rainha do Metal”, num lugar bem soturno. Uma toca de aranhas gigantes. Ao som de Cry of the Banshee, do Brocas Helm. Enquanto tu tá explorando a toca procurando por ela, toca o final da música(!) mais lento e soturno. Quando tu finalmente encontra a tal aranha, começa a parte “pauleira” da música. Essa cena tá aqui.

Enfim, só isso já dá um ar exótico pro game. Mas nããããão, Tim Schafer não se contenta em fazer só um lance legal. Eu iria até usar o termo “Tim Burton dos games”, pra galera que curte cinema entender melhor. Mas o Tim Burton não é nem o pé do Schafer, já que Brutal Legend é o pior game dele. E vocês viram o quão bem eu tô falando dele né? Pois é.

Como eu ia dizendo, não, ele não se contenta em fazer só um treco legal. De quebra, a história do game ainda é muito boa. Além de ser uma história que seria legal em qualquer formato, ela tem nuances que reforçam essa “falta de noção” de um game baseado numa premissa totalmente insana. Não vou dar nenhum detalhe da história pra não estragar nada. Mas dá pra entregar os personagens, ao menos. Porque tem umas participações dignas de nota: Rob Halford, vocalista do Judas, dublando o General Lionwhyte e o Barão; Jack Black dublando o personagem principal, Eddie Riggs; Lita Ford dublando Rima, a mina do mato; Ozzy Osbourne (sensacional) como o Guardião do Metal; Tim Curry como Doviculus; e Lemmy (hilariante) como Kill Master. Vale salientar as interpretações do Rob Halford, que fez dois personagens bem diferentes, do Lemmy, que tá simplesmente demais, e do Jack Black, que fez um personagem menos exagerado do que de costume.

Resumo da ópera é que eu podia ficar horas falando sobre como o game é bom. Mas o que tá escrito aí em cima é boa parte do que eu mais gostei no game, que combina duas coisas: qualidade de material, com diversão. É tão divertido, que nos próximos dias eu vou virar o game de novo… só pra ver todas as cenas de novo.

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