Twitter, relações humanas, contato com “famosos” e necessidade de aceitação. E amizade.

Algumas semanas atrás, eu recebi um reply do Carl Manneh (um dos integrantes da equipe da Mojang, que criou Minecraft) no twitter. Durante o feriado do carnaval, eu troquei e-mails com o Notch, criador do Minecraft. Já troquei tweets com a Lisa Foiles, e até recebi um reply do Cliff Bleszinski, da Epic Games. Esse tipo de “contato com gente famosa” sempre dá aquela sensação aconchegante de que se chegou um pouco mais perto de alguém que admiramos, ou a quem temos como referência. Nos casos acima, todos são, direta ou indiretamente, relacionados a games. Mas imagina tu receber um reply de um ator de quem tu é fã, ou até um RT de algum político famoso, como eu já vi acontecer com algumas pessoas?

E é isso que me traz a esse tópico de “relações humanas”. A necessidade (reconhecida por estudos) que temos de receber atenção e aceitação influencia em bastante coisa, mesmo que algumas vezes não percebamos. E sim, percebamos existe, por mais que seja uma daquelas palavras feias pra cacete. Mas mesmo que esta percepção não seja presente o tempo todo, ela influencia nossas ações de forma ubíqua. Faça uma retrospectiva rápida no seu célebro: a probabilidade de que tu já tenha mandado um e-mail, ou até carta(!), pra algum artista, ou programa de TV/Rádio, ou até mesmo um podcast. E se tu tem twitter, me arrisco a dizer que é certo que tu já mandou alguns tweets pra famosos ou “famosos”. Uso a palavra dessa maneira porque tem gente que é famosa, no sentido da palavra, tipo o Obama, o Schwarzenegger, o Lula. E tem os “famosos”, que são pessoas de destaque. Qualquer gamer entusiasta de verdade conhece nomes como Tim Schafer, Cliff Bleszinski, Hideo Kojima, American McGee, Clive Barker, Keiji Inafune, Shigeru Miyamoto, Shinji Mikami, Mike Morhaime, Bobby Kotick, dentre outros. Minha mãe não conhece eles. Minha mãe também não conhece Quentin Tarantino, Tim Burton, Akira Kurosawa, George Lucas, Steven Spielberg, Sergio Leone. Cada nicho tem seus grandes. Ora, até a blogosfera tem suas caras tarimbadas, gente famosa como o Cardoso, o Izzy Nobre, e eu.

Enfim: como eu citei, no caso do tuíster é certeza de que já se fez isso. No caso dos mais sortudos (ou dos mais perseverantes), até recebeu respostas. E as ocasiões nas quais eu recebi essas respostas, eu acabei me dando por conta disso, e ai o salto foi pro assunto que eu quero abordar, que é a necessidade de aceitação. Como diria o (H)Eraldo, veja bem, as pessoas têm por natureza a necessidade de serem aceitos pelos outros em seu grupo, em sua “matilha”(ou [insira aqui coletivo de animais]). E podem enfiar seus comentários de metaleiro adolescente revoltado no rabo, porque eu sei que ainda tem esses “metaleiros de orkut” dando as caras por aí. Mesmo que tu adore gritar “eu não me importo com ninguém, quero mais é que todo mundo se foda”, no mínimo a opinião da tua mãe deve importar pra ti. Sem contar melhores amigos. Eu digo que não me importo com ninguém, mas não no sentido literal disso: eu realmente não me importo com a opinião de algum imbecil dizendo “esse gordo escreve mal e só sabe falar palavrão e gritar”. Haters gonna hate, e racists gonna race. Mas com os meus amigos, internéticos ou não, eu me importo, e pra caramba. Se o Dill diz que eu tinha que criar vergonha na cara e começar a me exercitar e comer que nem gente, eu vou escutar. Mesmo que eu mande ele à merda na hora, eu vou pensar no assunto. Se o Caio me disser que um texto meu poderia ficar melhor, eu vou revisar 92 vezes. Se o Kaceto me diz que um filme é ruim, eu vou pensar duas vezes antes de olhar (a não ser que seja Avatar, que foi bom pra caralho, mesmo ele dizendo que é ruim). Se o Nunes me diz que um lance que eu deveria me focar em X empreendimento, eu escuto, porque ele me conhece bem. Porque esses aí, dentre outros que eu não citei, são meus broders. São caras que eu respeito(menos o Nunes. RÁ!), e cuja opinião significa muito pra mim. São pessoas para com as quais eu saio do meu caminho pra agradar. Pessoas cuja aceitação é importante pra mim.

Mas não me entendam errado. “Sair do meu caminho para agradar” não significa que eu vá mudar o jeito que eu sou só pra me acharem bonito. Não. Isso quer dizer outra coisa.

Quer dizer que, quando o Caio escrever um texto no tumblr dele e me mandar o link, eu vou ler. Vou fazer a piadinha de “me mandando link do teu ‘querido diário’?”, porque são textos pessoais, mas vou ler todos os que ele mandar. Mesmo os que não me parecerem interessantes (embora geralmente os textos sejam fodas pra caralho, porque esse feladamãe escreve bem pacas). E também vou sempre dar o feedback que ele sempre pede das edições (fodas) que ele faz pro podcast do Arena.

Quer dizer que, quando o Dill me mandar um link do último video do vlog dele, eu vou olhar, mesmo que depois eu me arrie que é um “querido diário” (eu tou usando demais essa expressão, eu acho). Eu vou reservar alguns minutos pra ver, mesmo que eu não rache rindo ou ache o máximo, porque eu me importo com ele, e quero “fazer esse agrado”. E sei que ele se importa com a minha opinião também.

Quer dizer que, quando o Kaceto me disser que O Lutador e bom, muito antes de eu ver o Oscar, eu vou pensar em ver o filme (ainda não consegui assistir, por sinal), porque sei que mesmo que eu não goste nem um pouco do filme, é um tópico sobre o qual ele gosta de conversar, e eu quero poder conversar com ele sobre algo que ele gosta. Ou sobre Avatar, o que é sempre engraçado.

Quer dizer que, quando o Nunes me disser pra criar vergonha na cara e tocar adiante algum projeto (como a ressureição do blog, que ele foi um dos que mais incentivou e continua me cobrando toda semana por um post), eu vou ouvir, e vou me esforçar pra sempre publicar alguma coisa no blog, muitas das vezes, sendo a primeira coisa que eu penso: o Nunes vai curtir ler isso aqui?

Com nenhum destes caras, eu me preocupo em ser diferente pra agradar. Mas se, em alguma ocasião, eu tenho que fazer uma forcinha, como naqueles dias onde teu camarada te chama pra um programa de índio (como ir de bicicleta pro cafundó da tararaca) e tu não tá tão a fim, ainda assim no final das contas tu acaba indo. Talvez não pro cafundó da tararaca, mas pelo menos até a cidade vizinha. Esses “sacrifícios” não são de graça também. Geralmente é recíproco. Todos eles também me aturam quando eu fico duas horas falando de videogame (menos o Caio, que é tão maluco por games quanto eu… mas ele trabalha com isso também. E eu tenho um pouco de inveja por isso), ou quando eu falo pra marcar uma maratona de filmes ruins. Alguns fazem sacrifícios tão grandes quanto vir de SP especialmente pra perder pra mim no Modern Warfare 2.

E no final das contas, vou ter que mudar o título. Porque ao invés de falar sobre aceitação, acabei falando mais é sobre amizade. Mas tá valendo. O que conta, no final das contas(BADUMTS!), é se o texto prestou ou não… e nunca presta, então dá no mesmo.

E só pra não perder o costume, fiquem com um unicórnio de presente:

Criaturas bem bonitas, esses unicórnios.

2 pensamentos sobre “Twitter, relações humanas, contato com “famosos” e necessidade de aceitação. E amizade.

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