O dia em que me tornei a Arma.

Onde deveria haver um pátio, agora só há um rombo enorme. Mais alguns passos e vejo que o “buraco”, na verdade, é o pátio que deveria estar no mesmo nível das colunas à esquerda e direita. Ouço a já familiar voz artificial, sintética e impessoal, me avisando da situação: “Ameaça detectada. Opções táticas disponíveis”. Com um breve pensamento e um leve movimento em um dos dedos, desapareço da visão. Recebo a confirmação na mesma voz robótica: “Camuflagem ativada”. Olho para minhas mãos, agora praticamente transparentes, ainda não acostumado completamente a “ficar invisível”. Parece verdade o que dizem sobre “toda tecnologia avançada o suficiente parece magia”. Com um toque, ativo o modo tático do visor, acessando os controles que ficam ocultos ao lado da lente. Começo a observar a área, e logo identifico três alienígenas. “Alienígenas”. Estranho chamar assim seres que, de acordo com o Dr. Hargreave, vêem do fundo do oceano. Mas certamente não parecem humanos, se parecem mais com polvos. Justifica o apelido dado a eles pelos marines. Também identifico logo duas opções táticas ressaltadas pelo sistema de reconhecimento do nanotraje: uma pilha de suprimentos, com munições e granadas, e um local onde é possível flanquear os inimigos, em um trem agora suspenso a cerca de 30 metros de altura. A princípio, penso em subir até o trem, o que deve ser fácil com o nanotraje, e usar o rifle DSG-1 que peguei há pouco junto de um marine ferido, mas logo identifico outros 3 inimigos. Resolvo usar a cabeça, e ir com mais calma.

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O Turista

Não sei definir se “O Turista” é uma surpresa agradável, ou se é uma decepção inesperada que foi salva pela falta de hype, ou simplesmente pelo fato de que, por algum motivo, ao olhar aquele cartaz o meu cérebro pensou “romancezinho veneziano com dois queridinhos da mídia”. E aí meu irmão me fala que o filme não é de romance. Tamanho era meu interesse pelo suposto romance (eu sei, total desinformação da minha parte, puta falta de sacanagem mesmo), que eu nem mesmo havia lido nada sobre o mesmo. Nem visto nenhum trailer. Mas aí, subjugado pela curiosidade (e, pra confessar, total falta de algo melhor pra fazer), assisti o tal filme. E eu ia usar o começo do texto como título, mas como vi que ia ficar muito grande, e ia ser um título ridículo, resolvi me ater ao manjado nome do filme.

 

Passeios com a família

Como não é só de tecnologia que eu gosto de falar, mas também de fazer paralelos com a mesma baseado nas minhas experiências de vida, e como o assunto tá minha cabeça devido ao recente passeio com a minha família pra ver Enrolados, eu resolvi encher lingüiça falar sobre o tópico. E quem me vê falando “minhas experiências de vida” deve achar que eu sou velho. Mas foda-se, não preciso ter 72 anos pra refletir sobre a vida.

 

Dia do Jogo Justo: Parecer desavergonhadamente atrasado

É, eu devia ter postado isso no final de semana passado já. Mas eu não tenho vergonha na cara, e tô bostando só essa semana por 3 motivos:

1) Preguiça de escrever no final de semana e postar no blog na segunda;

2) Também escrevi pra entregar pra coluna no Ibiá dessa semana;

3) Queria “esfriar a cabeça” depois de ver algumas atitudes do Moacyr das quais eu discordo (e não queria que isso influenciasse o texto);

4) Queria ver a repercussão do Jogo Justo no resto do país antes;

5) Eu não sei contar.

6) Olha que bonito esse unicórnio:

Bom, indo ao assunto, vamos dar uma repassada (até porque, eu vou ter que publicar isso no Jornal, e muita gente lá nunca ouviu falar de Jogo Justo):

 

Disney é Disney.

Tem alguém que não conheça a história da Rapunzel? Ah não, peraí, falei bobagem… deve ter. Afinal de contas, a gente tá vivendo naquela época em que é capaz de ter gente que não conhece Bill Murray ou, pior ainda, Gandhi. Então, certamente deve ter gente que não conhece Rapunzel, ou a Branca de Neve, ou A Bela e a Fera… e vários outros contos clássicos que foram transformados em animações memoráveis da Disney. Diversas das quais, pasmem, fazem parte das memórias da minha infância. Sim, eu também já fui criança, e não, eu não passava minhas manhãs afiando um machado antes de ir pra escola.

A história do filme é baseada no conto de fadas alemão Rapunzel, onde uma jovem é presa por uma bruxa. A jovem é confinada a uma torre, e um belo dia (como em todo conto de fadas), um príncipe escuta ela cantando e vai atrás da voz. Os dois se apaixonam, e blá blá blá, e todo mundo sabe que todos viveram felizes pra sempre. No filme, algumas coisas são alteradas: a Rapunzel é que é a princesa, que é raptada por uma véia coroca que não é exatamente uma bruxa, porque ela nasceu com os poderes duma flor. Uma flor que tinha os poderes dum raio de sol que caiu no chão (!) e que foi usada pra fazer uma poção pra Rainha, que tava dodói.  E o príncipe não é príncipe, é um ladrão. E tem um camaleão e um cavalo no meio da história. Não, não é um camaleão de montaria e um cavalo que troca de cor. Consegui deixar vocês tontos e obrigar todo mundo a ler duas vezes esse parágrafo?

Mas sobre o filme, ele não é o melhor filme da Disney. Não tá nem entre os 10 melhores deles. Tendo isso em mente, porém, é bom salientar uma coisa: ainda é um filme da Disney, o que significa que é divertido pra caramba. Todas as fórmulas tradicionais da Disney tão ali: os bichos que não falam, mas são tão inteligentes quanto qualquer pessoa, a princesa, a magia, dois personagens que não têm uma fala sequer e são ridiculamente expressivos (o Rei e a Rainha, que protagonizam uma das cenas mais tristes do filme, que quase me fez chorar. Quase), a cantoria, e todas essas coisas aí. E por falar em “todas essas coisas aí”, pra variar quem rouba a cena no filme são o camaleão e o cavalo: embora não interajam muito juntos, algumas das cenas mais engraçadas são protagonizadas por algum deles, e eu não vou dar detalhes pra não tirar a graça. A história do filme é bem típica de contos de fadas, embora essa “reimaginação” do conto da Rapunzel traga um frescor à narrativa, e manteve um ritmo legal, já que em nenhum momento o filme se tornou cansativo de assistir (afinal de contas, um marmanjo de 25 anos dentro do cinema pra assistir um desenho, seria de se imaginar que em algum momento eu puxasse o celular pra twittar ou pra ver a hora, ou algo do naipe). Não que ele fizesse o mesmo que Distrito 9 (primeiro exemplo que me veio à cabeça) e me mantivesse quase sem respirar em alguns momentos, prestando atenção SÓ no filme. Mas acho que deu pra entender.

Enfim, não é à toa que o Tarantino disse que Enrolados foi um dos filmes favoritos dele em 2010. Embora não seja nem um pouco inovador (em termos de animação), ele serve como ótimo exemplo de uma “atualização” por parte da Disney. Fica claro o quanto a linguagem tradicional deles foi alterada pra incluir esse humor levemente mais sarcástico, em comparação ao que geralmente é do feitio da Disney. Mas pra mim, o mais importante não é essa atualização, e sim a forma como foi executada. Embora seja notável uma linguagem mais moderna por parte do estúdio, também se nota um respeito às tradições que é quase palpável. Durante o filme, eu não pude deixar de notar o quanto eu estava me divertindo e, pra falar a verdade, tinha voltado a ser criança (grande), e estava tão emocionado quanto minha afilhada de 8 anos: quase em uníssono, estávamos os dois lá, rindo com as palhaçadas do ladrão Flynn fugindo do cavalo Maximus, ou com as cenas hilariantes protagonizadas pelo camaleão Pascal, torcendo pra que os heróis conseguissem escapar dos vilões, e quase chorando junto com o Rei, numa cena que demonstrou o talento dos artistas da Disney ao criar uma cena extremamente emotiva, e sem nenhuma palavra. Tu consegue sentir a dor do pai separado da filha, simplesmente pela expressão triste, que contrasta com a altivez da figura (sério, eu fiquei impressionado com a linguagem visual da cena).

Enfim, Enrolados é um filme divertido, engraçado, e que certamente vale o ingresso dos pais que vão acompanhar a criançada. Afinal de contas, valeu o meu ingresso pra acompanhar as sobrinhas, já que eu dei muita risada dentro do cinema no domingo, e voltei a ser criança por mais ou menos duas horas.

Porquê eu gosto tanto de videogame

ATENÇÃO: há spoilers massivos de Bioshock abaixo. Se (inacreditavelmente) tu ainda não jogou o game, faça um favor a todo mundo e vá imeditamente se enforcar em um pé de couve jogar o mesmo.

 

Eu já salvei a galáxia (umas 3 vezes). Fui um fora-da-lei na fronteira do México, e trabalhei pra Máfia em Vice City. Enfrentei monstros de pedra e pêlo, me tornei um espírito que pulava de corpo-em-corpo, e fui caçador de recompensas. Já salvei um primo que foi raptado pelos russos, e um tempo depois fui um russo sobrevivendo em um mundo pós-guerra-nuclear. Já salvei a mesma princesa 79 vezes (42 vezes a zelda, e umas 67 a Peach, com aquela maniazinha irritante de sempre estar em outro castelo), pilotei robôs gigantes e naves espaciais, enfrentei ogros e trolls e cacei vampiros. Eu já comandei Terran Marines contra uma raça de alienígenas psíquicos, pra depois me aliar a eles contra o Enxame.

Já fui pirata, físico nuclear armado com um pé-de-cabra, agente especial da FOXHOUND, herói, vilão, soldado de elite do futuro que explodiu um planeta em forma de anel. Salvei o mundo de uma invasão infernal, pra depois invadir o inferno e garantir que isso não aconteceria de novo. Me perdi no mar em um acidente de avião, pra descobrir que meu pai era o criador de uma cidade decadente no fundo do mar. Explorei uma nave abandonada em busca da minha namorada e fui aterrorizado por monstros mutantes. Fui um skatista mundialmente renomado, guitarrista aclamado(apesar de só tocar covers), sobrevivi a um apocalipse de zumbis (vários apocalipses, na verdade, e de formas diferentes), saí pelas Terras Ermas atrás de um Garden of Eden Creation Kit, e busquei vingança contra o desgraçado que me deu um tiro na cara e me deixou por morto numa cova rasa.

Eu acho que nunca coloquei dessa maneira, mas um bom jogo é como um bom livro. Ok, alguns dos exemplos acima certamente não têm histórias tão envolventes, cativantes e imersivas quanto um bom livro, mas que eu quero dizer é: outros tantos têm, e em vários casos. Em alguns desses casos, são até mais imersivos que um livro, pois tu não tem que imaginar o personagem ali fazendo traquinagens e tu assistindo tudo de camarote. Tu que controla o personagem. Foi o que, como o Affonso (Solano, do MRG) citou, me fez não ter vontade de sair correndo o tempo todo no Red Dead Redemption, como se faz no GTA, pra chegar mais rápido na missão. A ambientação, a imersão do jogo é tão boa, que tu te sente dentro do personagem. Porra, quando o meu primeiro cavalo (que eu dei o nome de White Lightning, por causa da cor) morreu, eu fui no bar de Armadillo e tomei um porre homérico, e saí dando tiro pro alto na rua, de brabo.

E RDR não é nem o melhor exemplo de imersão que eu já vi: eu costumo sempre citar Bioshock nas conversas sobre o assunto, mais especificamente sobre a cena onde Andrew Ryan, até então o vilão ganancioso e sem coração do jogo, revela ser o pai do personagem, e literalmente se sacrifica pra conceder ao filho a liberdade, em um dos momentos (pra mim) mais memoráveis da história dos games, quando, sem sair da visão de primeira pessoa, o jogo te obriga a ver a morte do cara que tu não quer mais morto, sem trocar a perspectiva, como vários games já fizeram. E pode-se notar, ao longo do game, como nunca é alterada a perspectiva: sempre acompanhamos tudo, incluindo as cutscenes, sob uma perspectiva interna. E, ao contrário de Half-Life (onde em alguns momentos fica subentendido que o Gordon Freeman disse algo, embora o jogador não escute som algum), a própria estrutura dos diálogos sugere que o protagonista permanece o tempo todo em silêncio. E a jogada mais bem sacada é, quando na cena citada anteriormente, o véio Ryan te revela que tudo que tu fez até agora, embora pensando que por vontade própria, foi provocado pelo “would you kindly” dito por Atlas. Nesse momento, tu percebe que os “trilhos” do game são escondidos com maestria pelo roteirista, pois a tua reação natural durante o jogo foi seguir as instruções dele, afinal de contas… “era pra seguir adiante com a história do jogo”. Mas prestem bem atenção na meta-linguagem utilizada aqui: o jogador, prontamente, seguiu todas as ordens do Atlas até então, e fica com a impressão de que a influência da frase “would you kindly” se estende além das fronteiras do personagem, reforçando a impressão do jogador e do personagem serem um só, por aquele curto período de tempo. E depois disso, a reação natural de querer vingança é (corretamente) presumida pelo roteiro, direcionando o jogador ao confronto final com aquele que o manipulou durante esse tempo.

 

Mas voltando ao foco da minha comparação com livros: como em um bom livro, um bom jogo prende a nossa atenção, faz com que acabemos por nos importar com personagens que não existem de verdade, e nos traz aquela sensação gostosa de ter participado de uma aventura impossível na vida real. Não necessariamente uma fuga, e sim, uma diversão à parte, um exercício criativo e empático, onde a gente veste os calçados de outra pessoa, ou em alguns casos específicos como nas séries Fallout e Mass Effect, podemos interpretar diferentes pessoas em diferentes situações. Mas e com isso, estou tentando dizer que games podem, ou até mesmo devem substituir os livros? Muito pelo contrário. A minha percepção da semelhança entre uma boa história em um game e o mesmo em um livro é justamente decorrido da minha abundante leitura durante a infância/adolescência. O fator determinante pra isso? Eu não tinha muito saco pra ficar lendo as “leituras recomendadas” (leia-se “chatas pra cacete”), então eu torrava os professores pra fazer o trabalho sobre algum livro que eu tinha interesse. Ao invés de fazer sobre Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Machado de Assis, ou algum outro autor pro qual eu não dava a mínima no meu tempo de rebelde sem calça causa, eu fazia sobre algum livro que eu gostei de ler, o que me levou a conhecer a (excelente) série Perry Rhodan, muito melhor do que (e anterior a) Star Trek  (Trekkies, tremei!), e pérolas como Pilares da Terra, de Ken Follett (baita livro descrevendo alguns costumes medievais comuns, sobre os quais eu não fazia a menor idéia) e Ramsés (que por algum motivo, eu acabei nunca terminando de ler, e acabei por largar de mão mais tarde por faltar de paciência).

Enfim, acho que isso pode dar uma luz à gurizada que me conhece pessoalmente e se pergunta como diabos eu consigo passar tanto tempo em volta do videogame, ou porquê diabos eu sou tão entusiasta do mesmo, esse é um dos grandes motivos dentre tantos outros, como por exemplo “em que outro lugar eu poderia explodir tantas cabeças, matar meus amigos, e não ser preso nem ir pro inferno?” e “PORQUÊ EU GOSTO, mãe. Pára de me incomodar”, e inúmeros motivos sem fim que tornam o videogame um hobby tão legal quanto paintball, mas que dá pra fazer todo dia depois do trabalho.

E pro pessoal que curte games como eu, fica como food for thought.

 

Fonte da imagem

Terminator Salvation(Publicado em 13/06/09)

terminator-salvation-movie-poster_480x741Gurizada, fui assistir ao filme do Terminator. Demais, não tem outro termo. Ao invés de fazer uma porcaria desavergonhada um filme fraquinho como o do Wolverine, resolveram fazer uma coisa supimpa: agradar aos FÃS da série. E agradaram(ao menos no meu caso, e do pessoal que foi junto) mesmo! Não dá nem pra dizer que é um filme, é uma ode aos dois primeiros filmes! Recheado de referências, piadas internas que não tiram o ar do filme, e ação desenfreada. Eu achei o roteiro fraquinho, mas o resto compensa. Os efeitos são bons, o Sam Worthington ficou muito legal no papel(sucedeu bem o Arnold Schwarzenegger), o guri que fez o Kyle Reese(o iniciante Anton Yelchin) cumpre o papel bem pra um relativo “desconhecido”, e o Batman Christian Bale faz o personagem dele da maneira esperada(mas ao menos, no filme não aparece ele tendo piti perdendo a calma com o fotógrafo).

Fora os deslizes, que eu considerei mais do que releváveis(credo, que palavra feia. Será que existe mesmo?), o filme é dez. Valeu o meu ingresso(e não dois pilas, que nem o filme do Wolverine), e valeu até eu ter me perdido em Porto Alegre, com o Luiz dirigindo o carro e resmungando mais que eu(desculpa Luiz, eu viajei em ter dito que não tinha o filme em Canoas).
Pontos altos do filme são vários, mas só vou comentar dois, senão estraga(mas vou listar os outros genericamente): na cena em que uma guria pergunta pro John Connor o que dizer se perguntarem pra ele, e ele responde “I’ll be back.”(Eu voltarei, a frase de efeito mais curta e estilosa do cinema), arrancou risadas da sala de cinema inteira. Já na hora em que aparece o Schwarzenegger, TARAM TAM TARAM(tema do filme, pra quem não é lunático fanático como eu, Luiz e companhia limitada)! Simplesmente GENIAL a aparição dele. Só vou deixar assim, confirmando a aparição do vivente(nem tão vivente assim, se for levar em consideração que ele é um robô assassino vindo do futuro). De resto, tem músicas dos outros filmes, localidades, atores, e até mesmo cenas cuja estrutura fazem lembrar de alguma cena dos filmes antigos. Enfim, vale o ingresso, e digo mais: vale dois ingressos. Esse eu acho até que olho de novo no cinema.